segunda-feira, 15 de julho de 2013

Enredo da Lins Imperial para 2014 - Carnaval



Leia a sinopse do enredo da Lins Imperial para 2014
Redação SRZD

Leia a sinopse e a justificativa do enredo da Lins Imperial, que desenvolve o enredo "Tenha Fé" para o Carnaval 2014.

Autor do Enredo: Flávio Mello
Sinopse: Luiz Di Paulani

E então, por que acreditar?
"Fé em deus e pé na tábua" ou
"Pé em deus e fé na taba"?
Venha falar de fé!
Fé que corrompe, fé que conquista
Fé que aprisiona ou liberta, que ludibria ou inebria
Fé que salva e faz sonhar
Fé na vida, ou fé no homem,
"Fé no que virá"
E quem não tem fé, também não está à toa!
Fé negra ou branca, verde ou amarela
Fé em mais dinheiro no bolso
ou simplesmente em ter comida na panela
Fé ruim ou fé boa, não importa se eu chego lá.
Fé por fé, não se discute!
A minha é no povo descendo a ladeira
Pedindo à Senhora da Guia
Que o seu pavilhão faça o samba ecoar...

"Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar"

Apresentação:

Comissão de Frente: Uma Mente a Conquistar - A consciência humana representada por dez mulheres prontas para dar à luz a novos seres, sendo aliciadas pelos quatro grandes detentores da fé: Mitos, Poder, Homem e Ciência.

Primeiro Casal de MS/PB - A Fé Primitiva - O Homem primitiva associava a sua fé e devoção aos elementos da natureza. O Sol e os outros astros do firmamento eram motivo de fé e presságios.

Elemento Alegórico 1 - A Lins Pede Passagem
(A intenção é fazer um tripé com colunas de treliça de aço, para ser decorado com arabescos, velas, cores que remetam ao etéreo, formando um portal para falar de fé)



SETOR 1 - AH!!! A FÉ...


Ala 1 - Eu posso!
A fé na ciência, na capacidade de realização do homem. A fantasia representa o cérebro realizador, o Super-Einstein, envolvido em fórmulas e instrumentos.

Ala 2 - Eu peço!
A fé que vem da devoção e da crença. Os pedidos de casamento, os clamores pela dificuldade, os ex-votos, a cura de doenças, etc. A fantasia faz referência a São Jorge, um dos mais importantes símbolos de fé e devoção carioca, cercado de ex-votos, listas de pedidos, fotos e toda a sorte de objetos de devoção.

Ala 3 - Eu Faço!
A fezinha nos jogos de azar, nas cartas do tarô, no jogo do bicho, nas possibilidades de visualizar um amanhã melhor. A fantasia remete às ciganas que lêem nosso amanhã, e aos vendedores de jogos/apontadores de bicho.

Ala 4 - Pé em Deus e Fé na taba!!
A fé no dinheiro, no poder que o status dá a elite e ainda, nas substâncias que nos afastam da realidade... A fantasia representa os "nouveau riche chapadões", a tribo dos "Sabe-com-quem-você-está-falando?", as pessoas que ostentam tudo o que podem, acreditando que isso lhes abrirá todas as portas e, ao se deparar com suas frustrações, entregam-se às drogas lícitas ou ilícitas.

Ala 5 - Fé em Deus e Pé na tábua!
A fé de quem acha que nada de ruim pode lhe acontecer. A fantasia remete a quem dirige correndo sem se importar com acidentes, quem não está nem aí para as leis ou para a violência.

Ala 6 - "Entre o Bem e o Mal"
A eterna luta entre bem e mal, a diferença universal entre a minha fé e a fé que os outros querem que eu siga. O eterno tabuleiro de xadrez onde as peças são os fiéis, as crenças e as religiões.

Ala 7 - "Com Fé, a gente ganha!"
A fé na vitória do time campeão, na consagração da seleção em mais uma Copa do Mundo vencida, a alegria de movimenta as manhãs do brasileiro, a bordo dos transportes coletivos, falando sobre a partida da noite anterior, as alegrias e decepções dos resultados e os rumos do esporte.

SETOR II - A FÉ TEM VÁRIOS MEIOS


Ala 8 - Um Peixe Olhou Pra mim! (Fé Indígena)
A crença indígena, geralmente atrelado a uma noção de pertencimento na natureza, como no livro que dá nome à fantasia. A fantasia remete ao Xamã, capaz de interpretar os pedidos e recados dos deuses e antepassados.

Ala 9 - Catequese (Catolicismo)
As índias tupinambás aliciadas e expostas à catequese, sendo cortejadas pelos jesuítas, que querem.

Ala 10 - Sacerdotes do Axé ( Passistas) - Os sacerdotes de matriz africana e suas Ekedis.

Ala 11- Axé (Matrizes Africanas) Bateria
A contribuição negra para a formação do panteão mítico do Brasil - A fantasia remete aos Iawos (neófitos nas religiões afro) e tudo o que está associado ao culto.

Ala12 - Ventos do Oriente
A contribuição dos povos do oriente para a formação do panteão mítico do Brasil - A fantasia remete às diversas tradições milenares dos povos do oriente como Hinduísmo, Taoísmo e Budismo.

Alegoria: Altares de Fé
(A alegoria representa os altares em honra às quatro maiores influências religiosas presentes na cultura brasileira)


SETOR III - A FÉ NO MEU PAVILHÃO


Ala 13 - Livrai-nos do mal!
Todos os males que tem assolado a escola estão representados na fantasia: " os cartolas usurpadores. A fé de que estarão longe da escola todos os males de más administrações que a colocaram onde está, pormenorizando todos seus títulos.

Ala 14 - Nossa Senhora da Guia, Olhai por nós! (Baianas)
As baianas da escola vem simbolizando sua padroeira, onde estão depositadas todas as esperanças de um futuro melhor.

Ala 15 - Plantar as sementes... (Velha Guarda)
Não há receita diferente: escola de samba se começa com os ensinamentos da Velha Guarda e sua fé de que seu exemplo dará resultado.

Ala 16 - Colher as Flores (Crianças)
A Velha Guarda plantou as sementes, que germinaram e geraram flores... A fé no futuro da escola está nas mãos dessas pequeninas flores, que herdarão o pavilhão verde-rosa.

Ala 17 - Andar com Fé eu Vou - Uma grande procissão, representando os sacrifícios feitos em devoção a tudo o que se acredita. Essa é uma das manifestações religiosas mais importantes do país.



Ala 18 - Todo o Esplendor da Fé no meu Pavilhão
Uma fantasia para comemorar o amor ao Pavilhão Verde-Rosa, à glória dos quatro campeonatos conquistados e à honra em se vestir com o manto, para representar o Complexo do Lins.

Elemento Alegórico 2 - A Águia renasce das cinzas
( A alegoria vai representar o renascimento do símbolo da escola, alçando vôo dentre os barracos da comunidade, demonstrando que a Lins voltou para brigar "Por um Lugar ao Sol").

JUSTIFICATIVA DO ENREDO

Vamos falar de fé!
A fé pode estar vinculada a questões emocionais, a motivos considerados moralmente nobres ou estritamente pessoais e egoístas, assim como também pode estar direcionada a alguma razão específica ou ainda, existir sem razão definida. Qualquer que seja sua motivação, vai estar, na maioria das vezes, ligada a sentimentos que evoquem à esperança para vencer determinada dificuldade, ainda que não possua nenhum argumento racional.

A Lins Imperial evoca a fé em dias melhores para levantar sua comunidade e resgatar as glórias de seus antigos carnavais. E o que pode ser mais forte do que a fé para levantar os homens e motivá-los a mudar seu destino?

Em seu primeiro setor, a escola vem mostrar as várias maneiras de exercer a fé. A fé lógica, baseada nas ciências e que faz o homem acreditar na sua capacidade de sonhar, planejar e executar tudo aquilo de que necessita para alterar o percurso de sua vida.
Também a fé no metafísico, no divino, no sacralizado, no superior...A fé que condensa todas as esperanças de que algo maior do que nós capaz de oferecer segurança, proteção, alterar o destino e promover encontros e desencontros (e por que não?).
Para atingir o dinheiro, o homem direciona sua fé também ao jogo ( sua maneira mais fácil e mais rápida de mudar seu destino), ou de garantir que nada pode lhe atingir, acreditando que o dinheiro pode comprar a tudo e a todos.

A luta entre o bem e o mal, entre crer e descrer, entre trevas e luz, condenação e redenção também envolve todo o tipo de fé. Quer seja na religião, nos desejos, na ciência ou na vida, tudo está ligado à eterna batalha de vencer os desafios e fazer triunfar o bem.
E há também a fé na vitória, que lota estádios e faz surgir os bate-papos no dia-a-dia de idas e vindas pro trabalho, distraindo as mentes durante a jornada.

No segundo setor, a Lins vai falar da fé litúrgica, sacralizada, a terceira instituição responsável por disseminar a cultura em todas as sociedades: a religião. Para isso, apresenta os principais traços culturais religiosos que movimentam o dia a dia dos brasileiros, responsáveis por séculos de esperanças, lutas, vitórias e até mesmo discriminação.

A fé depositada nos elementos da natureza, cultuada pelos primeiros habitantes, reproduz a beleza das almas inocentes, onde o mundo possível era tudo aquilo onde a vista alcançava. Quando não se tinha noção da proporção das terras além-mar, o diferente era sacralizado.
Mais tarde, a fé branca dos cristãos pisa em terra brasileira e sente necessidade de catequizar, de trazer para luz os selvagens indígenas, adoradores impuros. A aculturação promovida tenta apagar qualquer traço de culto pagão e substituí-los pelo correto credo no novo mundo.
A fé que possui matrizes africanas surge com o advento da escravidão. Milhares de almas oriundas da diáspora, vindas de muitas tribos e muitas crenças, dão origem a um novo traço de fé: o candomblé. Muitos credos se perdem, as origens se misturam, os elementos são cruzados e só se revelam pelo meridilogum e pelas sementes de Ifá, para reinar sobre o ori dos Yawos.
Os ventos do oriente trazem as crenças territoriais, que aproximam o homem das lógicas energéticas e essenciais. In e Yang, Baguá, Tao e Buda regem as novas orientações, chamando o homem à percepção de uma razão mais concreta de bem-viver, menos interpretativa e mais focada no compartilhamento da bondade e aproveitamento de todos os aprendizados como fluxos de vida dispostos a ensinar a formar um ser cada dia melhor.

E de tudo isso, se busca entender a mensagem para se fazer uma Lins Imperial melhor. No terceiro setor, independente de religião, de crença, de jeitinho, de sorte, de lei ou de entendimento, a Lins mostra a necessidade de entender a importância de possuir uma bandeira ao pé da comunidade e de finalmente abraçá-la de volta, tomando como exemplo tudo de bom e de ruim que já aconteceu, promovendo com coragem as mudanças que vão levar a escola a seu lugar: a grande avenida.

É preciso ter fé no trabalho sério e na comunidade para que oportunistas nunca mais tenham vez na escola. Para não mais permitir que mal intencionadas venham espoliar o pouco que se tem, apenas por ganância, egoísmo e por não entender o real valor das cores da escola para o Complexo do Lins.

É preciso entender que os fundadores desta escola plantaram sementes para colher bons frutos. É preciso entender que as flores germinadas irão gerar novas árvores que darão à escola a segurança que só as raízes fortes proporcionam. É preciso ter fé no sacrifício feito no passado, por cada pai, mãe, avô, avô, irmão, irmã, amigo ou amiga que virou noites em casa fazendo fantasias, ensaiou ou desfilou sob qualquer tempo, para fazer grande essa escola.
É preciso ter fé na padroeira, ter fé no pavilhão e acreditar que andorinha a andorinha, finalmente a Lins vai conquistar um lugar ao sol nesse verão. Acredite que, do fundo do poço, se consegue o empuxo necessário para retornar à luz do dia e que daqui a pouco, o Complexo do Lins vai ser freqüentado, falado, cantado em verso e prosa, como se orgulham tantas outras comunidades a cada quarta-feira de carnaval. É preciso ter fé que vão voltar as festas da quinta-feira.

É preciso descer as ladeiras, acreditar, fazer da Intendente a passarela para uma procissão verde-rosa, capaz de emocionar, realizar e vencer! Acredite! Tenha fé!


TAGS: Carnaval 2014






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Manoel Messias Pereira

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